O Ministério Público de Santa Catarina lançou o Mapa do Feminicídio, ferramenta inédita que detalha os padrões da violência letal de gênero no estado. O estudo evidencia a gravidade do problema e aponta regiões com maior risco proporcional, como Caçador (2,75 mortes por 100 mil mulheres), Lages (2,56) e Chapecó (2,55).
Elaborado pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC), o levantamento analisa dados entre 2020 e 2024, com atualização até 2025. No período, Santa Catarina registrou 596 mortes violentas de mulheres, sendo 396 classificadas como feminicídio.
Os dados mostram que, a cada três mulheres assassinadas no estado, duas foram mortas em razão de gênero. A maioria dos casos ocorreu em contextos íntimos, representando 71% das ocorrências, frequentemente associados a relações marcadas por controle, violência prévia e, em alguns casos, consumo de álcool ou drogas.
O estudo também chama atenção para a interiorização da violência. Municípios com menos de 15 mil habitantes apresentaram taxa média de 2,20 mortes por 100 mil mulheres, superior à registrada em cidades médias (1,76) e quase o dobro dos grandes centros (1,31). A média estadual é de 1,71.
Além de mapear a distribuição geográfica, a ferramenta analisa fatores como local do crime, vínculo entre autor e vítima, existência de medidas protetivas e circunstâncias agravantes, como violência sexual, mutilação e privação de liberdade. O objetivo é subsidiar políticas públicas mais eficazes de prevenção e enfrentamento.
Como complemento ao estudo, o MPSC lançou a websérie “Ausências”, que apresenta histórias reais de vítimas de feminicídio, buscando dar visibilidade às trajetórias por trás das estatísticas e ampliar o debate sobre a violência de gênero no estado.


