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    Rádio Fraiburgo 95.1

Após queda, “Pinheirão” pode continuar vivo por meio de clonagem em SC

Após queda, “Pinheirão” pode continuar vivo por meio de clonagem em SC
(foto: Katia Pichelli/Embrapa Florestas)

Mesmo após a queda, a araucária gigante conhecida como “Pinheirão” ainda pode continuar existindo. A tentativa de preservar o material genético da árvore — considerada uma das maiores do Brasil — entrou em uma nova fase com o início do processo de clonagem, em Caçador.

Pesquisadores coletaram brotações da copa da árvore e deram início, em laboratório, a um processo de enxertia e preservação genética. A expectativa é que os primeiros resultados sobre a viabilidade do material sejam conhecidos em cerca de 100 dias.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Florestas, Ivar Wendling, foram identificadas brotações com potencial para o resgate genético. O objetivo é manter características raras da árvore, como grande porte, resistência e longevidade.

O material foi encaminhado para enxertia, técnica que consiste em unir fragmentos da planta original a mudas jovens. Caso o procedimento tenha sucesso, novas árvores poderão carregar o mesmo DNA do Pinheirão.

Um caso semelhante ocorrido em Cruz Machado serve como referência. Na ocasião, uma araucária de aproximadamente 700 anos foi clonada após cair durante um temporal, resultando em mudas replantadas na região.

Segundo a Embrapa, a clonagem de árvores muito antigas representa um desafio científico, já que tecidos envelhecidos possuem menor capacidade de regeneração. Com o passar dos séculos, há redução na multiplicação celular e alterações hormonais, o que dificulta o desenvolvimento dos enxertos.

Apesar das dificuldades, o método já demonstrou potencial para preservar o DNA de exemplares históricos. As mudas resultantes, embora tendam a ter menor porte, podem começar a produzir pinhão mais cedo do que árvores convencionais.

O “Pinheirão” impressionava pelas dimensões: cerca de 44 metros de altura — equivalente a um prédio de 14 andares — e 2,45 metros de diâmetro. A árvore estava localizada na estação experimental da Embrapa em Caçador, área que também abriga unidade da Epagri.

Agora, a expectativa dos pesquisadores é que o processo permita manter viva, ao menos geneticamente, uma das araucárias mais emblemáticas do Sul do Brasil.