Uma prática que tem chamado a atenção nos últimos tempos é a venda do pó retirado do catalisador de veículos. A promessa de dinheiro rápido — com valores que variam entre R$ 300 e R$ 400 — tem levado muitos proprietários a removerem a peça do carro. No entanto, o que parece vantagem imediata pode se transformar em um grande prejuízo financeiro e ambiental.
Para esclarecer o assunto, conversamos com o mecânico Luiz Scheffer, da Mecânica Scheffer, profissional com ampla experiência no setor automotivo.
Segundo ele, o catalisador é um componente fundamental para o correto funcionamento do sistema de injeção eletrônica e para o controle da emissão de poluentes.
“O catalisador trabalha em conjunto com a sonda lambda, que faz a leitura dos gases e ajusta a injeção de combustível. Quando a peça é retirada, a luz da injeção acende, o consumo aumenta e o veículo pode apresentar falhas”, explica.
Além disso, o prejuízo pode ser muito maior do que o valor recebido pela venda do pó. Um catalisador original pode custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, dependendo do modelo do veículo — e, em alguns casos, o valor pode ser ainda mais alto.
Muitos proprietários acabam optando por peças paralelas, mas, conforme o mecânico alerta, nem sempre o resultado é satisfatório. “Em vários casos, o catalisador paralelo não faz a leitura correta e o problema persiste.”
Impacto ambiental
Outro ponto importante é a questão ambiental. O pó presente no interior do catalisador contém materiais utilizados na indústria eletrônica e tem valor comercial elevado. Porém, sua função no veículo é essencial para reduzir a emissão de gases poluentes.
“O catalisador possui uma cerâmica interna que ajuda a transformar gases tóxicos em gases menos poluentes antes de serem liberados na atmosfera. Sem ele, os gases são lançados diretamente no meio ambiente”, ressalta Scheffer.
Ou seja, além do prejuízo financeiro, a retirada da peça contribui para o aumento da poluição.
Manutenção preventiva é fundamental
A orientação do profissional é clara: não vender o catalisador e investir na manutenção preventiva do veículo.
“Antes de viajar com a família, passe na oficina, faça uma revisão. Verifique freios, pneus, suspensão. Muitos acidentes acontecem por falta de manutenção”, alerta.
Ele também destaca a importância de manter os pneus em boas condições. “Rodar com pneu careca é extremamente perigoso.”
A recomendação final é simples: cuidar do veículo é também cuidar da segurança da família e evitar dores de cabeça no futuro.


