Desde o início de novembro, a vacina contra a poliomielite passou por uma mudança significativa no Brasil: as doses de reforço, antes administradas via oral, agora são exclusivamente injetáveis. A alteração segue uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), embora a versão injetável já estivesse disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2016.
Conforme a enfermeira Ana Paula Palmeira, o esquema de vacinação permanece o mesmo para os primeiros meses de vida. As crianças continuam recebendo as doses injetáveis aos dois, quatro e seis meses. A principal mudança ocorre nos reforços: anteriormente, eram aplicadas duas doses orais aos 15 meses e aos quatro anos de idade. Agora, o reforço será apenas uma dose injetável, administrada aos 15 meses, eliminando a necessidade da dose adicional aos quatro anos.
A Secretaria Municipal de Saúde de Fraiburgo destaca a alta adesão da população local à campanha de vacinação contra a poliomielite, frequentemente ultrapassando a meta de 95% de cobertura. Em alguns anos, a taxa chega a superar 100%, devido à procura de moradores de municípios vizinhos.
Apesar das mudanças no esquema vacinal, Ana Paula Palmeira afirma que os pais têm demonstrado grande comprometimento em seguir o novo calendário. “Sabemos que ajustes no cronograma de vacinação podem gerar algum transtorno, mas trabalhamos com horários estendidos para facilitar o acesso. Os pais compreendem a importância do Programa Nacional de Imunização e trazem seus filhos para vacinar, o que é essencial para manter a poliomielite erradicada no Brasil há mais de 30 anos”, explica a enfermeira.
A poliomielite é uma doença viral altamente contagiosa que afeta o sistema nervoso, podendo causar paralisia permanente. A transmissão ocorre por meio de alimentos e água contaminados com o vírus, que se replica no intestino. Em casos graves, o vírus pode atingir o sistema nervoso central, levando à paralisia dos membros. Graças à vacinação em massa, a poliomielite foi praticamente erradicada em muitos países, mas ainda há risco em regiões com baixa cobertura vacinal.
Apesar da mudança para a versão injetável, o personagem Zé Gotinha continua sendo o símbolo da campanha, mantendo vivo o apelo pela vacinação contra a doença.


