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Santa Catarina bate recorde na produção de leite, mas queda nos preços preocupa produtores

Santa Catarina bate recorde na produção de leite, mas queda nos preços preocupa produtores
(foto: divulgação/Epagri)

Santa Catarina registrou um recorde histórico na produção de leite em 2025, com 3,43 bilhões de litros, e liderou o ranking nacional de produtividade. Segundo dados da Epagri/Cepa, a média estadual chegou a 17,21 litros por vaca em lactação por dia, volume 76% superior à média brasileira, de 9,78 litros. O Oeste catarinense concentra parte importante dessa atividade, que combina avanços tecnológicos com desafios econômicos para os produtores.

Entre 2016 e 2025, a produção de leite no estado cresceu 10,2%, enquanto o número de vacas ordenhadas diminuiu 30,1%. No mesmo período, a produtividade média passou de 10,88 para 17,21 litros por vaca em lactação por dia.

De acordo com a economista da Epagri/Cepa, Andréa Castelo Branco, os resultados estão relacionados à modernização das propriedades, com melhorias na alimentação, no manejo, na genética dos animais e na gestão da produção. A assistência técnica e o uso de tecnologias também contribuem para produzir mais com um rebanho menor.

O aumento da eficiência pode ajudar a reduzir os custos por litro de leite, já que despesas com instalações, equipamentos e parte da mão de obra são distribuídas por um volume maior de produção. Mesmo assim, a rentabilidade continua sendo um dos principais desafios do setor.

Preço do leite recua e pressiona produtores

O levantamento da Epagri/Cepa aponta que o preço médio pago ao produtor catarinense chegou a R$ 2,66 por litro em outubro, uma queda de 5% em relação a agosto. A redução preocupa principalmente os pequenos produtores, que têm menos margem para absorver períodos de remuneração baixa.

Além do preço recebido, os custos com alimentação dos animais, mão de obra, manutenção das estruturas e investimentos em tecnologia pesam no orçamento das propriedades. A instabilidade dificulta o planejamento financeiro e pode adiar melhorias necessárias para ampliar a produtividade.

Na região de Chapecó, produtores também apontam a dificuldade de encontrar mão de obra especializada como um obstáculo para a atividade. A decisão de investir depende da avaliação dos riscos e da capacidade de manter a produção financeiramente sustentável.

El Niño aumenta preocupação com custos

As condições climáticas também estão no radar do setor. Segundo a Epagri/Cepa, o excesso de chuvas associado à possibilidade de ocorrência do El Niño pode prejudicar as lavouras de milho e soja, comprometer a qualidade das pastagens e elevar os custos da alimentação animal.

Com dificuldades para produzir ou armazenar alimentos de qualidade, os produtores podem precisar recorrer a alternativas mais caras para manter a dieta dos rebanhos. Como a alimentação influencia diretamente a produtividade das vacas, os efeitos podem atingir tanto os custos quanto o volume produzido.

Setor busca crescimento com sustentabilidade econômica

A expectativa da Epagri/Cepa é de continuidade dos ganhos de produtividade e de crescimento da produção leiteira catarinense nos próximos anos, impulsionados pela tecnologia e pela profissionalização das propriedades.

Por outro lado, a redução do número de produtores e a concentração da produção exigem atenção. O desafio é transformar os ganhos de eficiência em renda e sustentabilidade econômica para as famílias rurais.

A atividade leiteira mantém importância econômica e social em Santa Catarina, especialmente por garantir uma fonte regular de renda para muitas famílias do campo ao longo do ano.