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    Rádio Fraiburgo 95.1

Quando o ventilador deixa de ser alívio e vira fator de risco

Reprodução/EPTV

O uso de ventiladores em dias de calor intenso pode ser um alívio, mas, em determinadas condições climáticas, ele pode se tornar um fator de risco. Estudos apontam que o aparelho ajuda a reduzir o estresse térmico até determinada temperatura e umidade, mas, em ambientes muito secos e quentes, pode piorar a sensação térmica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda evitar seu uso quando a temperatura ambiente ultrapassa os 40°C.

Dois estudos publicados no final de 2024 aprofundam o tema. Um deles, divulgado no “The New England Journal of Medicine (NEJM)”, aponta que ventiladores ajudam a aliviar o estresse cardíaco em idosos em condições de umidade a 38°C. O outro, publicado no “The Journal of the American Medical Association (JAMA)”, conclui que, acima de 35°C, o ventilador tem poucos benefícios adicionais.

O fisiologista térmico George Havenith, da Universidade de Loughborough, afirma que a umidade desempenha um papel crucial acima de 35°C. Em estudos realizados por pesquisadores das universidades de Sydney e Ottawa, em um ambiente úmido (38°C e 60% de umidade), idosos tiveram uma redução de 31% no estresse cardíaco com ventiladores, e esse percentual chegou a 55% quando borrifados com água. Já em condições secas (45°C e 15% de umidade), os testes precisaram ser interrompidos devido ao aumento do estresse térmico nos participantes.

Embora esses estudos sejam relevantes, pesquisadores destacam que faltam experimentos em condições reais para comprovar que os ventiladores são seguros, uma vez que muitos testes são feitos em câmaras climatizadas. No Brasil, a preocupação é menor devido ao clima predominantemente úmido, exceto no semiárido nordestino, onde a baixa umidade pode reduzir a eficácia do ventilador.

Suor: o principal mecanismo de resfriamento

O clínico intensivista Luis Fernando Correia alerta que crianças pequenas e idosos são mais vulneráveis em condições de calor extremo e baixa umidade.

“O principal mecanismo de resfriamento do corpo humano é a evaporação do suor. Se a umidade relativa do ar estiver alta, os ventiladores funcionam bem, pois facilitam essa evaporação e ajudam a resfriar o corpo. Mas, em condições de baixa umidade, o suor evapora rapidamente, e o ventilador apenas joga ar quente sobre a pele, aumentando a sensação de calor”, explica Correia.

O cardiologista Sérgio Timerman recomenda alternativas como hidratação, ventilação cruzada e o uso de ar-condicionado. Para que a ventilação cruzada seja eficaz, é necessário que haja entradas de ar opostas no ambiente, permitindo a renovação do ar quente por ar mais fresco.

Já o professor de biometeorologia Fábio Luiz Teixeira Gonçalves, da USP, destaca que os ventiladores aceleram a troca de calor na pele, intensificando a evaporação do suor e promovendo resfriamento.

“Se você estiver suado, o efeito é maior. As moléculas de ar que batem na água obrigam a mudança de estado, de líquido para vapor, roubando calor da pele. Isso acelera a secagem e proporciona alívio térmico”, explica Gonçalves.

Uso seguro dos ventiladores

Embora anteriormente se acreditasse que 35°C fosse o limite seguro para o uso de ventiladores, estudos recentes sugerem que sua eficácia depende mais da umidade relativa do ar do que apenas da temperatura. Quando usados corretamente, os ventiladores podem ser aliados no conforto térmico, principalmente em locais sem ar-condicionado. Especialistas recomendam, sempre que possível, associar o uso de ventiladores a outras medidas, como umidificadores de ar e borrifadores de água na pele, para maximizar seus benefícios e evitar riscos em situações de calor extremo.

Com informações G1