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Prefeito de Fraiburgo relata desafios e cobranças na Marcha dos Prefeitos em Brasília

Reprodução/Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O prefeito de Fraiburgo, Wilson Ribeiro Cardoso Junior, retornou nesta quinta-feira (23) da capital federal após participar da 25ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O evento, promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), reuniu mais de 14 mil gestores de todo o país em dias de intensos debates sobre o futuro da administração municipal brasileira.

Durante entrevista concedida à Rádio Fraiburgo, o prefeito compartilhou impressões e preocupações levantadas ao longo da mobilização. A principal pauta foi o fortalecimento do municipalismo — sintetizado pelo lema “menos Brasília e mais municípios”. No entanto, Wilson criticou a falta de avanços concretos nesse sentido: “Particularmente, não vi tanta evolução. Pelo contrário, a nova legislação tributária centraliza ainda mais os recursos em Brasília”, afirmou.

Entre os temas mais polêmicos discutidos esteve o piso salarial da educação. O prefeito destacou que o governo federal continua estabelecendo pisos para categorias profissionais sem indicar fontes de financiamento, o que compromete os orçamentos municipais. “Se cria o piso, mas não se diz de onde vem o dinheiro. Isso é uma cobrança que cai sobre os municípios, mas sem o respaldo financeiro necessário”, pontuou.

Outro assunto de destaque foi a PEC 66/2023, que trata do pagamento de precatórios. Segundo o prefeito, Fraiburgo enfrenta uma dívida judicial de aproximadamente R$ 31 milhões, e a proposta em discussão no Congresso Nacional pode permitir melhores condições para o pagamento desse passivo. “Houve uma pressão muito grande por parte da bancada catarinense, e esperamos que a PEC avance”, disse.

Wilson também mencionou o debate sobre a redistribuição de deputados federais. Ele criticou o aumento recente no número de parlamentares, o que, segundo ele, apenas eleva os custos da máquina pública. “Santa Catarina deveria ter mais representantes por mérito populacional, mas ao invés de redistribuir, criaram mais 16 vagas. Isso é inflar a estrutura e não resolver o problema”, criticou.

O prefeito ainda fez um alerta sobre o crescimento da burocracia federal e a baixa devolução de recursos arrecadados nos municípios. “A vida acontece nos municípios. O dinheiro é gerado aqui, mas vai para Brasília e volta cada vez menos. Isso é o que mais nos preocupa”, concluiu.

Apesar das frustrações, ele reafirmou seu compromisso com a luta municipalista. “É desanimador ver como as coisas funcionam em Brasília, mas estamos aqui para trabalhar e continuar brigando por melhorias. Esse é o papel dos prefeitos”, finalizou.

A Marcha dos Prefeitos é considerada o maior evento municipalista da América Latina e, mais uma vez, evidenciou a distância entre as decisões tomadas na capital federal e a realidade das cidades brasileiras.