Um homem acusado de matar a ex-companheira em um restaurante de Videira, no Meio-Oeste catarinense, foi condenado a 30 anos de prisão por feminicídio. O julgamento ocorreu na última sexta-feira (28), no Fórum da cidade, e o réu não poderá recorrer em liberdade. Assim que a sentença foi anunciada, ele retornou ao presídio para o início do cumprimento da pena.
O crime aconteceu na noite de 19 de fevereiro de 2025. De acordo com a investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o homem atraiu a vítima — mãe de seus quatro filhos — ao restaurante que ambos administravam, sob o pretexto de discutir a partilha de bens. No local, desferiu uma facada fatal no pescoço da mulher, motivado pela não aceitação do fim do relacionamento de 20 anos.
Após o assassinato, o autor fugiu para Guarapuava (PR), onde permaneceu escondido por três dias, até se entregar à polícia e confessar o crime.
Durante o Tribunal do Júri, a acusação foi sustentada pela Promotora de Justiça Bruna Vieira Pratts, que destacou o caráter cruel do feminicídio e a necessidade de combater a violência contra mulheres.
“Não podemos normalizar o controle, o ciúme doentio e o sentimento de posse. Cada mulher morta por se negar a viver sob o domínio de um agressor representa uma ferida aberta na sociedade”, afirmou a promotora ao pedir a condenação.
Os jurados acolheram integralmente a tese do MPSC. O réu foi condenado por feminicídio qualificado por dissimulação, já que usou o falso argumento da conversa para atrair a vítima, e por recurso que dificultou a defesa, pois o ataque foi repentino. A pena também foi agravada pelo fato de a vítima ser responsável pelo cuidado de uma criança de nove anos.


