A crise na cadeia produtiva do alho em Santa Catarina dominou os debates da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Produtores das regiões serrana e meio-oeste cobram a suspensão da importação de alho argentino e denunciam concorrência desleal no mercado.
O coordenador da Câmara Setorial do Alho de Curitibanos, Itamir Gasparini, apresentou dados sobre os impactos da importação na produção local. Segundo ele, a prática de dumping tem contribuído para a redução da área plantada e o aumento do endividamento dos produtores.
Gasparini esteve em Brasília nesta segunda-feira (23), onde participou de reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para discutir o que classifica como “crise do alho”. Em seguida, participou da reunião da comissão na Alesc, presidida pelo deputado Altair Silva.
A cultura do alho roxo, tradicional no estado desde a década de 1970, teve forte expansão na agricultura familiar, especialmente após ser introduzida em Frei Rogério. Santa Catarina chegou a liderar a produção nacional, mas atualmente ocupa a terceira posição.
Dados apresentados indicam que a área plantada caiu de 2,4 mil hectares na safra 2018/2019 para 656 hectares na safra 2024/2025. Apesar do avanço na produtividade — que passou de cerca de 5 para até 14 toneladas por hectare, com apoio da Epagri — o número de famílias na atividade diminuiu significativamente.
Os produtores também apontam descumprimento frequente de normas da portaria 435 do Ministério da Agricultura e Pecuária, que regula a importação do produto. “A situação está causando endividamento e levando produtores a renegociar dívidas com juros mais altos”, afirmou Gasparini.
Durante a reunião, o produtor Kaoru Haramoto entregou um documento com reivindicações ao colegiado. Já o deputado Padre Pedro Baldissera sugeriu avaliar a restituição de incentivos fiscais previstos em legislação estadual para proteger os produtores locais.
O debate também abordou a importância da defesa sanitária para o agronegócio catarinense. Representante da Cidasc, Luis Felipe Bratti destacou que o setor responde por cerca de 25% do PIB estadual e 65% das exportações.
Já o extensionista da Epagri em Videira, Edilson Moreira, reforçou o papel da assistência técnica e de programas de incentivo à produção rural. Ele citou iniciativas como o Terra Boa e o Fundo de Desenvolvimento Rural, além da previsão de lançamento do programa SC Rural 2, com financiamento internacional para investimentos no setor nos próximos anos.


