Um treinador de futebol foi condenado a 73 anos de prisão por aliciar, perseguir e abusar sexualmente de atletas com idades entre 10 e 14 anos em Concórdia, no Oeste catarinense. Os crimes ocorreram entre 2023 e 2024. A decisão judicial também determinou o pagamento de indenizações às vítimas, com valores que variam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, conforme cada caso. A prisão preventiva do réu foi mantida em razão da gravidade dos fatos.
De acordo com as investigações, o treinador se aproximava dos adolescentes durante os treinos e oferecia presentes como chuteiras, celulares, roupas esportivas, dinheiro, lanches e passeios. Segundo as autoridades, os benefícios eram utilizados para manipular os jovens e garantir que permanecessem próximos a ele.
Os depoimentos das vítimas apontam diferentes episódios de abuso sexual. Conforme os relatos, o treinador também utilizava chantagens emocionais para impedir que os adolescentes contassem o que estava acontecendo. Na prática, ele exercia controle psicológico sobre os jovens, estabelecendo regras de “confiança” para que não perdessem vantagens dentro da equipe.
Alguns atletas relataram que o treinador prometia a faixa de capitão ou posições de destaque no time para aqueles que mantivessem maior proximidade com ele.
Os abusos, segundo a investigação, costumavam ocorrer em locais afastados. Em alguns casos, as vítimas afirmaram que eram levadas de motocicleta até lugares isolados, onde ficavam sozinhas com o réu e onde ocorriam os atos libidinosos.
Familiares também perceberam mudanças no comportamento dos adolescentes, que passaram a se isolar, demonstrar medo e até recusar a participação nos treinos.
Além dos crimes sexuais, o treinador foi condenado por perseguir um dos adolescentes com mensagens insistentes, chantagens emocionais e promessas de bens materiais, como computador e motocicleta, para manter contato.
A sentença também aponta que o réu aliciou outro menor ao enviar fotos de crianças, fazer convites para encontros e prometer presentes. Em outro episódio, ele foi responsabilizado pelo envio de pornografia infantil em um grupo de WhatsApp que contava com a participação de adolescentes.


