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    Rádio Fraiburgo 95.1

“Eu sabia que ia morrer”: Cláudia detalha como matou o marido e colocou o corpo em freezer no Meio-Oeste

Cláudia Tavares Hoeckler enfrenta juri popular
(foto: Luan Turcati)

O júri popular de Cláudia Tavares Hoeckler, acusada de matar o marido, Valdemir Hoeckler, e ocultar o corpo em um freezer em Lacerdópolis, no Meio-Oeste de Santa Catarina, prossegue nesta sexta-feira (29) em seu segundo dia na Câmara de Vereadores de Capinzal. Na sessão da manhã, a ré prestou o depoimento ao Tribunal do Júri; após pausa para almoço, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou sua sustentação final, que será seguida pela defesa, com possíveis réplicas e tréplicas. O julgamento terminará com a votação dos jurados e a sentença — com conclusão ainda hoje.

Depoimento de Cláudia Hoeckler

Em frente aos jurados, Cláudia contou que vivia sob constantes ameaças e que não tinha dúvidas de que seria morta pelo marido. Segundo ela, o companheiro se tornava cada vez mais agressivo, obrigava relações sexuais e chegava a pressioná-la psicologicamente dizendo que se ela tirasse a própria vida, colocaria a culpa na filha.

Ela relatou que, diante desse cenário, passou a acreditar que não havia saída. Disse que se sentia impotente para pedir ajuda: “a polícia não fica 24 horas ao lado da gente, e uma medida protetiva não seria suficiente”, afirmou.

Na frente dos outros, descreveu o marido como alguém carismático e brincalhão, mas, dentro de casa, a situação era bem diferente: brigas constantes, manipulação e violência, principalmente quando estavam apenas os três — ela, ele e a filha.

Cláudia Tavares Hoeckler enfrenta júri popular
Cláudia chega para o segundo dia de julgamento (foto: Luan Turcati)

A noite do crime

Cláudia relatou que colocou sonífero no remédio que o marido costumava tomar. Com ele desacordado, decidiu agir. Disse que amarrou mãos e pés para que não fosse atacada e, para não encarar o rosto do companheiro, cobriu com um pano e uma sacola plástica.

“Eu sabia que ia morrer. Então decidi fazer isso antes”.

Segundo o depoimento, em nenhum momento ele acordou. Quando percebeu que ele não respirava mais, ficou sentada no chão, imóvel, tentando entender o que tinha feito e pensando em como explicaria tudo à filha.

Ela contou que, por alguns instantes, pensou em chamar a polícia, mas acabou decidindo falar primeiro com a filha. “Até hoje não sei por que coloquei ele no freezer”, confessou.

A ocultação

Sobre a tentativa de esconder o corpo, Cláudia narrou que precisou de muito esforço para arrastá-lo até o freezer. Usou lençóis, cadeira e até um pedaço de madeira até conseguir colocá-lo dentro. Negou ter planejado manter o corpo escondido para sempre e disse não se considerar “fria e calculista”.

“Foi como se eu estivesse em um pesadelo”, afirmou.

Durante o depoimento, Cláudia também falou sobre a filha do casal, que ficou cinco anos sem contato com o pai. Disse que a jovem sofre por não ter tido a chance de se reconciliar com ele, mas que mesmo assim a perdoou. “Essa dor, a falta do pai, é algo que nunca vou conseguir apagar”, declarou.

(foto: divulgação/Polícia Civil)

O crime ocorreu em novembro de 2022, em Lacerdópolis, no Oeste catarinense. A ré responde por homicídio duplamente qualificado (por recurso que impossibilitou a defesa da vítima e motivo torpe), ocultação de cadáver e falsidade ideológica