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    Rádio Fraiburgo 95.1

Casos suspeitos de sarampo em criança e profissional de saúde acendem alerta no Tocantins

Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

Duas pessoas — uma criança de quatro anos e uma profissional de saúde de 29 — testaram positivo para sarampo em Campos Limpos, no Tocantins. Nenhuma das duas havia sido vacinada contra a doença. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a criança teve contato com pessoas vindas da Bolívia, país vizinho que enfrenta um surto da doença.

As duas pacientes apresentaram sintomas clássicos e seguem em recuperação, em isolamento domiciliar. As amostras de sangue já foram enviadas para análise na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para confirmação laboratorial definitiva. Por enquanto, os casos estão em investigação.

Diante da situação, o Ministério da Saúde enviou uma equipe técnica para atuar ao lado das autoridades estaduais em ações de bloqueio epidemiológico. Entre as medidas adotadas estão o monitoramento de contatos próximos das pacientes e o reforço na vacinação na região.

Casos sob análise podem elevar total nacional

Caso confirmados, os casos do Tocantins elevariam para sete o número de infecções por sarampo registradas no Brasil em 2025. Os outros ocorreram no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Apesar das notificações, o Brasil ainda mantém a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2024. A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Mônica Levi, alerta, no entanto, que o país já havia perdido essa certificação uma vez, em 2019, após novos surtos provocados pela entrada de pessoas infectadas vindas da Venezuela, em meio a um cenário de queda nas coberturas vacinais.

“A vacinação nas áreas de fronteira precisa ser reforçada. É uma das estratégias para mantermos o Brasil livre da doença. Não podemos baixar a guarda, ainda mais com países vizinhos enfrentando surtos”, alerta a especialista.

Risco regional e importância da vacinação

Somente em 2025, a Região das Américas já contabilizou mais de 7 mil casos confirmados de sarampo. Entre os países mais afetados estão México (2.597), Estados Unidos (1.227) e Bolívia (60). Treze mortes foram registradas, a maioria no México.

Mesmo com esse cenário, o sarampo não está entre as vacinas obrigatórias para viagens internacionais. “Pelo regulamento sanitário internacional, apenas a vacina da febre amarela é exigida em algumas viagens. Isso significa que alguém pode viajar para um país em surto de sarampo sem estar vacinado e trazer o vírus de volta ao Brasil”, explica Mônica Levi.

A presidente da Sbim orienta que todos verifiquem sua situação vacinal. A vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — deve ser aplicada em duas doses para pessoas de até 29 anos e em dose única entre 30 e 59 anos. Para crianças, ela está prevista no calendário nacional aos 12 e 15 meses.

“Quem não tem certeza se foi imunizado deve tomar a vacina. Não há riscos em receber uma dose a mais”, afirma Levi.

Tocantins com cobertura vacinal abaixo da meta

Apesar de o Brasil ter atingido 91,74% de cobertura com a primeira dose da vacina entre crianças, apenas 72,74% completaram o esquema vacinal até o momento. No Tocantins, os números são ainda mais preocupantes: 86% receberam a primeira dose e apenas 55% tomaram a segunda.

O governo estadual informou que todas as mais de 300 salas de vacinação do Tocantins estão abastecidas com doses da vacina, assim como em todo o país, conforme garantiu o Ministério da Saúde.

O caso acende um alerta para a necessidade de manter altas coberturas vacinais e vigilância reforçada, especialmente nas regiões de fronteira.

Com informações da Agência Brasil