A promulgação da emenda constitucional que põe fim à escala 6×1 marca uma mudança histórica na legislação trabalhista brasileira e também evidencia a trajetória de Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia que transformou a indignação com a rotina de trabalho em uma mobilização nacional.
Homem negro e migrante, natural de Taipas, no Tocantins, Rick começou a gravar vídeos nas redes sociais para falar sobre a realidade de trabalhar seis dias por semana e ter apenas um dia de descanso. Os relatos encontraram identificação entre milhares de trabalhadores e deram origem ao Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
A mobilização ganhou força na internet, reuniu milhões de apoiadores e ajudou a levar o debate sobre o fim da escala 6×1 ao Congresso Nacional. A articulação contou também com a participação de movimentos sociais, sindicatos e parlamentares, entre eles a deputada federal Erika Hilton, que apresentou uma proposta sobre o tema.
Em entrevista à Agência Brasil, Rick contou que, no início da mobilização, sequer conhecia o funcionamento das propostas de emenda à Constituição. O movimento nasceu da própria experiência profissional e da percepção de que milhões de trabalhadores enfrentavam dificuldades semelhantes para conciliar emprego, descanso, família e vida pessoal.
Mais tempo para viver
Para Rick, o fim da escala 6×1 representa a possibilidade de devolver tempo aos trabalhadores. Ele destaca que dois dias de descanso podem permitir mais convivência familiar, oportunidades de estudo, cuidados com a saúde e acesso ao lazer.
O ex-balconista também argumenta que trabalhadores mais descansados podem ter melhor qualidade de vida e produtividade. Na avaliação dele, a reorganização das jornadas pode estimular novas contratações e movimentar setores como comércio, turismo, cultura e lazer.
Fiscalização e defesa dos direitos
Rick alerta, porém, que a mudança precisa ser efetiva na prática. Entre as preocupações estão possíveis tentativas de contornar a legislação por meio de vínculos precários, pejotização fraudulenta ou redução indireta de salários.
Por isso, ele defende o fortalecimento da fiscalização trabalhista, dos sindicatos e dos órgãos responsáveis por garantir o cumprimento das regras.
Ele também afirma que a conquista precisará ser defendida no Congresso Nacional e na sociedade. Entre os planos políticos está a articulação de uma chamada Bancada CLT, voltada à defesa dos direitos dos trabalhadores.
Da mobilização à política
A trajetória de Rick também chegou à política institucional. Ele foi eleito vereador do Rio de Janeiro em 2024 e, em 2026, tornou-se o segundo candidato a deputado federal mais votado de Santa Catarina.
Para Rick, a mobilização não deve terminar com a mudança na jornada. A proposta, segundo ele, é ampliar o debate sobre direitos trabalhistas e garantir que o desenvolvimento econômico também considere a qualidade de vida de quem trabalha.


