O prefeito de Lages, Antônio Ceron (PSD), também se tornou réu no processo da Operação Mensageiro. A investigação apura um suposto esquema de corrupção na contratação de serviços de coleta e transporte de lixo em cidades de Santa Catarina.
O julgamento da denúncia contra o prefeito afastado de Lages ocorreu na tarde desta quinta-feira (11), no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). A decisão foi tomada pela 5ª Câmara Criminal, em Florianópolis. Nesta etapa o colegiado decidia pela abertura ou não do processo contra o prefeito.
A decisão significa que a Justiça aceitou a denúncia e agora irá avaliar os elementos obtidos pela investigação, concedendo espaço também às manifestações da defesa do prefeito. O sigilo sobre a investigação também foi retirado pela decisão desta quinta.
Além de Ceron, outros ex-secretários da prefeitura de Lages também tiveram a denúncia aceita na audiência desta quinta. Trata-se de Antônio César Alves de Arruda, que respondia pela pasta de Administração e Finanças, e Eroni Delfes Rodrigues, então titular de Serviços Públicos e Meio Ambiente.
Ceron foi preso na segunda fase da Operação Mensageiro, em fevereiro de 2023. Ele ficou detido por duas semanas em Itajaí, mas atualmente está em prisão domiciliar, após a Justiça aceitar um pedido da defesa. Ele é o único dos prefeitos alvos da Operação Mensageiro que está detido neste regime. Os demais permanecem em unidades prisionais do Estado.
Na época da prisão, o MP afirmou que o pedido foi expedido após análise dos depoimentos das testemunhas, investigados e provas coletadas na primeira fase da investigação.
Trechos da investigação obtidos pelo colunista da NSC, Ânderson Silva, apontaram que o prefeito de Lages e os secretários são suspeitos de terem recebido ao menos R$ 2 milhõesem dois anos de movimentações investigadas. Os valores ilegais seriam pagos em troca de contratos nas áreas de iluminação pública e coleta de lixo.
A decisão também cita um suposto pagamento de R$ 50 mil mensais ao prefeito, pagos, em tese, pela empresa Serrana Engenharia, pivô da Operação Mensageiro.
Procurada pela reportagem, a defesa de Ceron informou que irá emitir uma nota ainda na tarde desta quinta.
O que é a Operação Mensageiro e o que ela apura?
A Operação Mensageiro teve início em 6 de dezembro de 2022 e apura esquema de corrupção na licitação da coleta de lixo em cidades de Santa Catarina. Na primeira fase, quatro prefeitos foram presos: Pescaria Brava, Papanduva, Balneário Barra do Sul e Itapoá.
A segunda, deflagrada em 2 de fevereiro, teve dois prefeitos presos: Lages e Capivari de Baixo. Na terceira fase, que ocorreu 15 dias após, o prefeito de Tubarão e o vice foram presos. Já na quarta, as informações preliminares apontam que os prefeitos de Gravatal, no Sul do Estado, Guaramirim e Schroeder, ambos no Norte, foram presos. Há ainda cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão.
Por Jean Laurindo | NSC Total
Foto: Prefeitura de Lages, arquivo


