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Pesquisa aponta que 13% dos brasileiros adultos se identificam como LGBTQIA+

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Enquanto a Câmara dos Deputados discute sobre o futuro dos casamentos homoafetivos no Brasil, um levantamento da YouGov, multinacional especializada em pesquisa de mercado on-line, mostra o que os brasileiros pensam sobre o assunto. O primeiro ponto é que se o projeto de lei conseguir superar os obstáculos burocráticos que o aguardam, ele afetará o futuro de, potencialmente 13% da população adulta do país, número estatisticamente maior de cidadãos LGBT+ do que a média global (de 10,7%), que responderam “sim” à pergunta: “Você se identifica como LGBTQ+?”.

Os brasileiros são, em alguns aspectos, mais abertos a relacionamentos homoafetivos do que a média da população internacional. Os dados da YouGov apontam que 36,2% dos brasileiros dizem ter muitos amigos homossexuais, uma das porcentagens mais altas do mundo e muito mais alta do que os 27% da média dos consumidores internacionais. Eles também são ligeiramente mais propensos a acreditar que as famílias podem funcionar adequadamente mesmo que não sejam formadas da maneira tradicional.

David Eastman, diretor-geral da YouGov na América Latina, acrescenta que, ao mesmo tempo, os brasileiros também parecem ser estatisticamente mais fechados do que a média global em relação a outros pontos. “Apenas três em cada dez pessoas no país acreditam que é perfeitamente normal que as pessoas usem roupas tradicionalmente associadas ao gênero oposto, em comparação com mais de um terço da população global. Os cidadãos do Brasil também demonstram relutância (em relação à média global) em aceitar a existência de mais de um gênero e estão mais inclinados a dizer que os valores familiares se deterioraram nos últimos anos”, diz.

Quem são os brasileiros mais tolerantes em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Analisando o levantamento, David Eastman afirma que a idade parece estar entre os fatores mais importantes para definir se uma pessoa no Brasil pode ser a favor ou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. De modo geral, quanto mais jovens os consumidores, maior a probabilidade estatística de terem amigos gays (e, portanto, de serem a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo). Além disso, embora em todas as faixas etárias mais da metade da população do país esteja convencida de que o valor da família se deteriorou nos últimos anos, essa crença é menos acentuada entre os jovens.

Ao mesmo tempo, ser mais jovem não significa automaticamente uma maior probabilidade de aceitar o casamento homoafetivo. Nos dados da YouGov, os brasileiros com mais de 55 anos são estatisticamente mais propensos (em relação à média nacional) a acreditar que uma família não tradicional pode ser amorosa e solidária. Em contrapartida, os jovens de 18 a 24 anos (e os adultos de 35 a 44 anos) têm estatisticamente menos probabilidade de acreditar no mesmo.

“O exposto acima, é claro, pode indicar que a maioria das pessoas não está pensando em casamentos entre pessoas do mesmo sexo quando pensa em famílias não tradicionais. Mas também pode ser um reflexo de uma idiossincrasia brasileira muito complexa, que não se expressa nem como apoio incondicional nem como rejeição incondicional de relacionamentos homoafetivos”, reflete Eastman.

Entretanto, há uma característica que parece estar fortemente ligada à abertura dos brasileiros para relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo: a religiosidade. De acordo com os dados, apenas 36,1% dos entrevistados no Brasil que dizem que sua fé é importante para eles também afirmam ter muitos amigos gays, um número estatisticamente menor do que os 41,5% dos brasileiros que não dão atenção especial à sua fé. As pessoas religiosas também são muito mais propensas a dizer que os valores familiares diminuíram nos últimos anos.

Segundo Eastman, a fé também parece estar ligada a outros pontos de vista sobre o espectro da sexualidade e do gênero, pois as pessoas que não são religiosas são estatisticamente mais propensas a dizer que não há problema em as pessoas usarem roupas de outro gênero ou que existem mais de dois gêneros. “O único ponto em que não há diferença estatística entre esses dois grupos de brasileiros é na questão das famílias tradicionais: independentemente do seu nível de religiosidade, sete em cada dez pessoas no país acreditam que é possível ter uma família amorosa sem que ela seja uma família tradicional”, demonstra.

Com informações: Pollyana Rocha

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