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    Rádio Fraiburgo 95.1

Painel debate o combate à violência contra a mulher em Caçador

Painel debate o combate à violência contra a mulher em Caçador
(foto: divulgação/MPSC)

O município de Caçador vem registrando números de violência contra a mulher acima da média estadual nos últimos quatro anos, segundo dados divulgados recentemente pelo Mapa do Feminicídio do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O levantamento aponta taxa de 2,75 ocorrências para cada 100 mil habitantes, índice superior ao registrado em outros polos regionais catarinenses, que não ultrapassaram 1,5 caso por 100 mil habitantes.

O cenário levou entidades e órgãos públicos a intensificarem ações de conscientização e enfrentamento à violência de gênero. Em resposta aos dados, a Associação Empresarial de Caçador (ACIC) aderiu à campanha “Violência Contra a Mulher: Aqui Não”, iniciativa criada pelo movimento empresarial catarinense a partir de uma articulação do MPSC junto à Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).

Como parte da mobilização, foi realizado o painel “Vozes que Conectam, Ações que Previnem”, no plenário da Câmara de Vereadores de Caçador. O evento reuniu representantes das forças de segurança, assistência social e órgãos de proteção à mulher para orientar a população sobre formas de prevenção, acolhimento e denúncia.

Durante o encontro, as polícias Militar e Civil informaram que atualmente existem 108 medidas protetivas ativas em Caçador e que o município registra, em média, três novos casos de violência doméstica por dia.

Painel debate o combate à violência contra a mulher em Caçador
(foto: divulgação/MPSC)

A promotora de Justiça Luciana Leal Musa, da 4ª Promotoria da Comarca de Caçador, destacou que o Ministério Público atua tanto na responsabilização criminal dos agressores quanto em ações preventivas e educativas. Segundo ela, o enfrentamento à violência exige atuação integrada da rede de proteção e apoio constante às vítimas.

A promotora também alertou para as dificuldades enfrentadas na punição dos autores, especialmente em casos em que as vítimas desistem das denúncias por dependência emocional ou financeira. Outro desafio citado é a obtenção de provas, já que grande parte dos episódios ocorre dentro do ambiente doméstico, sem testemunhas.

Além disso, Luciana ressaltou a importância da denúncia e do acolhimento social para romper o ciclo da violência. Segundo ela, familiares, amigos, vizinhos, empresas e entidades comunitárias têm papel fundamental na identificação de situações de risco e no apoio às vítimas.

O painel contou ainda com a participação de representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, assistência social do município e da Associação Maria Rosa. Durante o evento, também foram exibidos trechos da websérie “Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio”, produzida pelo MPSC, retratando casos reais de violência contra mulheres em Santa Catarina.

A professora universitária Tatiane Bernardy, que participou do encontro, destacou a importância da disseminação de informações sobre os canais de denúncia e proteção. Segundo ela, muitas mulheres ainda desconhecem os mecanismos de apoio disponíveis e acabam permanecendo em situações de violência.

O Ministério Público reforça que denúncias podem ser feitas pelo telefone 190 da Polícia Militar, pelo Disque 180, nas Delegacias da Mulher, pelo canal 181 da Polícia Civil, além das Promotorias de Justiça e da Ouvidoria do MPSC.