A produção industrial brasileira recuou 0,5% em maio em comparação com abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (2) pelo IBGE. Esta foi a segunda queda consecutiva do setor, que já havia encolhido 0,2% no mês anterior. O desempenho negativo foi puxado, principalmente, pela retração na fabricação de veículos automotores, refletindo os efeitos dos juros altos sobre o consumo e os investimentos.
Apesar do recuo no mês, o setor industrial ainda acumula alta de 2,8% nos últimos 12 meses e registra crescimento de 3,3% em relação a maio de 2024. Mesmo assim, a indústria nacional segue 15% abaixo do pico registrado em 2011.
A alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, é apontada como um dos principais fatores que vêm desestimulando o crédito e impactando a produção. “Há um encarecimento do crédito para famílias e empresas, o que adia decisões de consumo e investimento”, destaca André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.
Na contramão desse cenário nacional, Santa Catarina mostra um fôlego maior na geração de empregos. De janeiro a maio de 2025, o estado criou 73,8 mil novas vagas, sendo 40,3 mil apenas na indústria — o terceiro melhor desempenho industrial do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A construção civil foi o principal motor dessas contratações, com 11,5 mil novos postos.
Outros segmentos industriais que se destacaram foram o de têxtil, confecção, couro e calçados (6,4 mil vagas) e o de alimentos e bebidas (4 mil). Ainda que o mês de maio tenha apresentado uma desaceleração — com saldo de apenas 366 empregos formais —, a indústria catarinense continua contribuindo positivamente, com 250 novos vínculos no período.
“A política monetária restritiva reduziu a oferta de crédito, o que impactou a indústria, mas Santa Catarina segue mostrando resiliência diante do cenário adverso”, analisa a economista Natalia Mayumi Von Zuccalmaglio, da FIESC.


