Santa Catarina já entrou em estado de atenção para a possível chegada do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026. Meteorologistas, órgãos estaduais e produtores rurais acompanham com preocupação as previsões climáticas, principalmente pelos impactos que o fenômeno pode causar no agronegócio catarinense.
Segundo dados divulgados pela Epagri/Ciram, Defesa Civil e NOAA, existe mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño entre julho e agosto, com permanência durante a primavera e o verão.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar mudanças importantes no clima da região Sul do Brasil. Em Santa Catarina, os principais efeitos esperados são aumento no volume de chuvas, temporais frequentes, risco de granizo, vendavais e enchentes.
Diante do cenário, o Governo de Santa Catarina chegou a decretar estado de alerta climático por 180 dias, buscando fortalecer ações preventivas e preparar municípios para possíveis eventos extremos.
Impactos no agronegócio
O setor agropecuário é um dos mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. As previsões preocupam produtores de milho, soja, feijão, trigo, hortaliças e também a pecuária.
O excesso de chuva pode causar:
- dificuldade no plantio e na colheita;
- aumento de doenças nas lavouras;
- perdas de produtividade;
- erosão do solo;
- prejuízos em estradas rurais;
- problemas no armazenamento de grãos;
- danos em estruturas e propriedades.
Na pecuária, a umidade elevada favorece doenças no rebanho e dificulta o manejo dos animais, além de comprometer pastagens em algumas regiões.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de temporais severos acompanhados de granizo e vendavais, que podem causar perdas rápidas e significativas nas propriedades rurais.
Produtores devem se preparar
Especialistas orientam que os agricultores acompanhem constantemente os boletins meteorológicos e adotem medidas preventivas para reduzir prejuízos.
Entre as recomendações estão:
- planejamento antecipado da safra;
- manutenção de drenagens e açudes;
- reforço em coberturas e estruturas;
- contratação de seguro agrícola;
- manejo adequado do solo;
- monitoramento constante das condições climáticas.
A Defesa Civil e a Epagri também reforçam a importância da prevenção, principalmente em áreas historicamente afetadas por enchentes e deslizamentos.
Histórico preocupa produtores
Santa Catarina já sofreu impactos severos em anos anteriores de El Niño, como em 1983, 1997/98, 2015/16 e 2023/24, períodos marcados por enchentes, perdas agrícolas e prejuízos milionários.
Agora, o setor agropecuário volta a acompanhar com atenção os próximos meses. Apesar de ainda existir incerteza sobre a intensidade do fenômeno, os órgãos meteorológicos alertam que a preparação antecipada será fundamental para minimizar os impactos no campo.


