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El Niño pode ampliar riscos para mais de 30 milhões de crianças no Brasil, alerta Unicef

El Niño pode ampliar riscos para mais de 30 milhões de crianças no Brasil, alerta Unicef
(foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, cerca de seis em cada dez, já estão expostos a dois ou mais riscos climáticos. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que chama atenção para os possíveis impactos do El Niño 2026–2027 sobre a infância e a adolescência.

Desse total, 16 milhões convivem com três ou mais riscos, como calor extremo e secas. Segundo o Unicef, eventos climáticos recentes mostram como essas situações podem interromper direitos básicos. Em 2024, por exemplo, as enchentes no Rio Grande do Sul afetaram a educação de 741 mil estudantes, enquanto a seca extrema na Amazônia atingiu outros 436 mil. Ao todo, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas.

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura. No episódio atual, os órgãos oficiais apontam alta probabilidade de um evento muito forte. Para outubro, novembro e dezembro, a previsão indica chuvas acima da média no Sul e abaixo da média em grande parte do centro-norte do país, além de temperaturas acima do normal em quase todo o território.

Para o Unicef, os efeitos podem atingir as crianças por diferentes caminhos. Calor extremo e falta de água aumentam riscos à saúde; secas e perdas agrícolas podem elevar a insegurança alimentar; enchentes podem contaminar fontes de água e interromper serviços de saneamento; e eventos extremos também podem provocar o fechamento de escolas e dificultar o acesso a serviços públicos.

A organização defende que estados e municípios antecipem medidas de preparação, como reforço da vigilância em saúde, garantia de vacinação e medicamentos, proteção dos sistemas de abastecimento de água, planos para manter as atividades escolares e atualização dos cadastros de famílias vulneráveis.

Segundo o Unicef, preparar os serviços antes da ocorrência de eventos extremos pode reduzir os impactos sobre crianças e adolescentes e evitar que uma emergência climática se transforme também em uma emergência social.