Medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, deverão ser disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, a oferta será feita de forma responsável, com base em estudos e após a definição de um protocolo clínico.
A pasta iniciou, em junho deste ano, um estudo com 250 pacientes do SUS atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). O grupo é formado por pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, e os participantes estão sendo acompanhados por equipes médicas especializadas.
O medicamento utilizado no estudo é a semaglutida, um dos princípios ativos da classe dos agonistas do receptor GLP-1. O objetivo é avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento e definir como ele poderá ser aplicado na rede pública.
Entre os pacientes acompanhados estão pessoas que aguardam por cirurgia bariátrica. Uma das questões avaliadas é se o uso da semaglutida pode levar a uma redução do quadro de obesidade que torne a cirurgia desnecessária em determinados casos. O estudo também analisa possíveis impactos sobre problemas cardiovasculares e a reincidência de câncer de mama.
Primeiros resultados
O Ministério da Saúde informou que os primeiros resultados do acompanhamento são considerados positivos. Segundo a pasta, o primeiro paciente a receber a medicação pelo SUS estava na fila para cirurgia bariátrica e apresentou perda de seis quilos, além de redução da circunferência corporal.
O estudo, chamado Real-Bari, foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição. Os resultados previstos para 2027 deverão contribuir para a definição dos critérios de utilização dos medicamentos no SUS.
Oferta ainda depende de protocolo
Apesar do anúncio do Ministério da Saúde, as canetas emagrecedoras ainda não são oferecidas de forma ampla pelo SUS. A disponibilização para pacientes em todo o país depende da conclusão das avaliações e da definição do protocolo clínico que estabelecerá os critérios para o tratamento.
A semaglutida já possui medicamentos registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em julho, a agência aprovou cinco novos medicamentos à base do princípio ativo, em uma estratégia que também busca ampliar a concorrência e reduzir os preços no mercado brasileiro.
O Ministério da Saúde afirma que a ampliação da produção nacional e da oferta de medicamentos da classe GLP-1 faz parte da estratégia para aumentar o acesso ao tratamento da obesidade no país.


