O cenário de uma possível paralisação de caminhoneiros autônomos tem gerado preocupação no setor de transporte e logística em Santa Catarina. Em entrevista, o presidente da FETRANCESC, Dagnor Schneider, destacou que o momento é crítico e exige diálogo entre todos os envolvidos para evitar impactos ainda maiores na economia.
Segundo o dirigente, o principal fator que pressiona o setor é o aumento no preço do óleo diesel, impulsionado pelo cenário internacional, especialmente pela elevação do preço do barril de petróleo em meio a conflitos no Oriente Médio. Ele também aponta a possibilidade de especulação por parte de distribuidoras, o que estaria contribuindo para a alta dos combustíveis no país.
O diesel, conforme Schneider, representa até 50% dos custos operacionais do transporte de cargas, o que faz com que qualquer reajuste tenha impacto direto na atividade. O problema, segundo ele, é que esse aumento não tem sido repassado de forma proporcional aos valores dos fretes, gerando desequilíbrio financeiro tanto para empresas quanto para caminhoneiros autônomos. Esse cenário tem alimentado a insatisfação da categoria e levantado a possibilidade de paralisações.
Diante disso, a FETRANCESC defende a necessidade de diálogo com a participação do poder público. Entre as medidas sugeridas estão a redução temporária do ICMS sobre o diesel, por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e a avaliação, pelo governo federal, de alternativas que possam amenizar o impacto dos preços.
Outro ponto destacado é a importância de que empresas contratantes de frete incorporem o aumento do combustível nas tarifas pagas aos transportadores. De acordo com Schneider, a resistência em reajustar esses valores tem agravado o cenário de insatisfação e fragilizado o sistema logístico.
Além da alta de preços, há ainda a preocupação com a oferta do diesel no país. O presidente da federação lembrou que o Brasil possui capacidade limitada de refino, sendo necessário importar entre 25% e 30% do combustível consumido. Eventuais dificuldades na importação podem gerar riscos adicionais de desabastecimento.
No contexto regional, especialmente no Meio-Oeste catarinense, o tema ganha ainda mais relevância devido ao período de safra da maçã e outros produtos, que demanda intenso fluxo logístico. Schneider avalia que não deve haver prejuízos no escoamento da produção, desde que haja remuneração adequada aos transportadores. Caso contrário, os impactos podem comprometer prazos e operações.
Apesar das discussões sobre paralisação, o presidente da FETRANCESC afirmou que não há indicativos de bloqueios em rodovias. A tendência, segundo ele, é de que eventuais paralisações ocorram com a suspensão das atividades, com caminhoneiros mantendo seus veículos parados, sem interferir diretamente no tráfego.
Por fim, Schneider reforçou que o momento exige sensibilidade e negociação entre as partes envolvidas. “O diálogo é determinante para encontrar soluções que minimizem os impactos e garantam o equilíbrio do setor”, concluiu.


